terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Desejo e racionalidade

Ela sabia que o princípio básico dos sentimentos eram as milhares de sinapses nervosas que, química ou eletricamente estimulavam seus neurônios, mas podia jurar que existia algo muito maior e mais forte  acontecendo quando seus olhos miravam fortemente aqueles olhos castanhos, intensos, devorando sua alma em silêncio. Difícil não perceber a endorfina correndo nas veias e a respiração acelerar levemente. O que estava acontecendo com ela? Porque não tirava seus olhos deste mar de perdição?
Afinal, ela sempre buscara a racionalização de todas as coisas da vida, e suas emoções ela atribuía aos hormônios e estímulos neurais, tudo muito material e mensurável. Mas não aquele querer. Aquele querer errado, proibido e que devia ser superado acabou devorando metade de seu peito e apertou tanto seu espaço interno que ela podia jurar estar sendo sugada pra um mundo desconhecido e perigoso, mas extremamente tentador.
Não! Dizia a razão, mas suas pernas já não obedeciam esta voz silenciada por fadinhas rebeldes que insistiam em bater suas asas incrivelmente cintilantes por todas as partes de seu corpo. Ela seguiu na direção dele, que mal conseguia respirar e nem piscava, hábil pescador que trazia sua presa, desenvolta sereia, diretamente para junto de si. O magnetismo se intensificou e seus pensamentos já não faziam sentido quando o mundo passou a girar mais rápido sob seus pés flutuantes. E agora já eram apenas um, um único desejo transformado no beijo que nenhum dos dois será capaz de esquecer.
Enquanto caminhava rapidamente pelas ruas escuras, ela revivia aquela conversa de corpos que dizia muito mais que qualquer dos livros ou palestras que ela já tivera contato, tentava decifrar o significado de suas próprias atitudes e para seu incrível espanto a única resposta que obteve foi um sorriso, talvez o maior e mais sincero sorriso de felicidade que ela já tivera expressado em toda sua vida. Ela via nitidamente na sua mente o rosto dele expressando o mesmo sorriso. E para seu espanto, tudo ficou entendido e não foi preciso mais nada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário